14/04/09

Ode Ao Amor

Eu amo
Vivo na intensidade do amor presente
Eu vivo ele diariamente
Constante ele queima
Por dentro
Eu amo
Ainda hoje e sempre amanhã
Mesmo sem serenidade, eu amo
O fogo que arde é verdadeiro
Amo por inteiro e incessantemente
Eu amo
E a dor que é, não dói.
E se não há, corrói.
Eu sei, porque amo.
E sem o amor eu não seria
Não existiria uma outra metade minha
Eu amo
Sou completa e só assim eu vivo
Amo agora
E amo indivisível
Não há somatórias, só amor
Bruto e concreto, insolúvel.
Amo como posso
Amo com o que tenho
Amo porque não temo
Aqui dentro é só amor
E é só ao amor a quem pertenço.

26/03/09

A Rã Cinza

Rãzinha bonitinha
Tem uma cara engraçada
Boca grande, quase farta
Quase não fala quando na água
Ela é uma rã cinza
Da pele lisa e macia
As largas falanges das patas
Seguram as pedras enquanto
Observa os dois mosquitos verdes
E com os seus olhos escuros hipnotiza
Nenhum inseto foge a sua língua
Mas é só um leão rugir
Que a rãzinha fica ranzinza
Fecha a cara e nem coachar ela quer
Mas isso dura pouco,
Logo logo quando o sol arde
Lá está ela pelo parque
Pulando de pedra em pedra
Exibindo todo o seu dorso
Esticando as patas e beijando outros sapinhos
Essa rã é um barato
E eu que nem em anfibios me amarro
Simpatizei com o tal bicho
A ponto de querer virar eu mesma
Uma joaninha um besouro ou ratinho
E sentar numa folha perto dela
Só pra ser a sua amiga.

13/03/09

Anatomia do ser ontológico

São tantos os olhos abertos
E muitas as bocas parlantes
São dedos em riste apontando
o onde, a onde ou quando.

Ouvidos há muito atentos
Em volta das cabeças pensantes
E dentro pensamentos estranhos
O que pensam não importa,
O que importa é o restante.

Nos pés cicatrizes
Logo dois correndo em linha
E os joelhos arcados e doloridos
Balançam a frágil bacia.

E no estômago, universo do vazio
Arde em chamas quando atiçado
Sentimentos quentes ou frios
De acordo com o dia e o quadro.

A lingua, molhada tensiona
Os dentes pra dentro e pra fora
Se movimenta como ondas
Nas costas, na nuca, nas coxas.

E dentro do peito, a pedra.
Mineral alado e pulsante
Esfarela-se quando apertado
Dissolvendo-se no meu restante.

09/02/09

Ensaio

É preciso escrever. Para se entender os desejos, para que os outros leiam e os entendam. É preciso escrever para elucidar os maiores mistérios do coração, só assim, desdobrando as palavras que voam pela cabeça é possível compreender e ser compreendido. O amor deve ser escrito, o desejo deve ser escrito, as pessoas, tão singulares, devem ser escritas.

Mas elas nunca querem. Nunca querem ser um personagem no papel. É intrusivo, eu sei, mas como poder explicar e definir a tênue linha que separa o eu verdadeiro do eu poético? Como dizer a alguém o que se sente com tantas palavras saindo pela boca, com os olhos nos olhos? Elas não acreditam. Não aceitam a possibilidade de serem pensadas e repensadas. As pessoas não são personagens, e por isso relutam em participar das histórias que escrevo.

Eu ainda te amo. Foi culpa minha te deixar ir. Eu sei que você não quer partir meu coração. Me perdoe. Eu ainda vou te roubar pra mim, você vai ver. Hoje acordei e percebi que havia caído da cama. Je t’aime encore. Je t’aime toujour.

Só as palavras sabem a essência do desejo. Porque elas não precisam do corpo para provar a sua veracidade. Elas vem de um lugar distante, de trás do cérebro, de baixo da língua, elas vem do âmago, do centro do peito.

A poesia liberta e com ela é possível alcançar o coração daquele outro distante. É poder dizer, em cada parágrafo, coisas que os olhos não podem ver, coisas que os ouvidos não podem ouvir. Nem o sussurro do amante tem tanto poder. Nem a lágrima mais chorosa alivia a dor. É preciso escrever e dizer letra por letra o que não pode ser dito nas entre linhas. São mensagens diretas, e o alvo nem sempre é aquele que acha que é.

Escrevo não para alimentar o ego daquele que ponho no papel, escrevo para alimentar a minha alma. Porque só existe uma pessoa. Só existe o eu. As pessoas deixam pistas, frases soltas, caras engraçadas. Mas tudo isso não é para elas, quando escrevo sobre elas é para mim mesma que escrevo. Sou eu que preciso ver a alma, e escrever alivia a tensão do pensamento. Posso dormir melhor. Dormir e sonhar.

Você é o meu melhor amigo. Você é incrível. Você é lindo. Quando eu morrer, você vai chorar? Eu falo com Deus todas as noites. Morro de saudades, mas não voltarei tão cedo. Eu posso te perdoar, mas preciso saber, se você precisa do meu perdão. Eu preciso.

Escrever é preciso. O escritor alcança a eternidade quando consegue sublimar suas idéias, quando o poema rima e até quando escreve uma carta de amor que nunca será lida. O papel é o lugar comum da ficção e da realidade, onde elas podem conviver sem conflitos. Quem escreve exorciza, expurga o mal que devora por dentro.

Quem escreve vive tudo o que tem para ser vivido, pois só ali, onde o tempo não opera, é que vive o poeta. Lá eu não morrerei nunca.

04/02/09

Pequenos encontros

O verdadeiro encontro aconteceu quando ela acordou ao seu lado e pode enfim olhar com calma aquele corpo imóvel sem que ele falasse, retrucasse, pensasse. Ela pensou por um segundo que o amor podia ser assim, sempre. Um corpo estendido onde se pudesse desenhar em canetas coloridas grandes corações vermelhos. Chegou mais perto de seu rosto e quase encostou a sua pálpebra na dele, ficou assim um tempo de olhos abertos, vendo os poros de seu nariz, sentindo o ar morno saindo pela boca. “Este é o homem mais bonito que já vi”. Com seu celular tirou uma foto dele dormindo. Queria guardar pra sempre aquele rosto, mesmo que não fosse amor.

02/02/09

Quem gosta de ar livre é passarinho

Gente gosta de ninho
De lambida na cara
E outras animalias.

Quem gosta de gente é bicho

Gente gosta de gente
Que pega na mão quente
E fala aos sussuros.

Quem gosta de gente

Quer ter uma por perto sempre

.

01/02/09

Gertrude, as you used to say:

People are just people are just people are just people.